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sábado, 17 de julho de 2010

John Lennon aos 70 anos

Em outubro


John Lennon aos 70

      Gravadora prepara lançamento mundial da obra de Lennon, que faria 70 anos. Além dos sete álbuns originais e do póstumo de inéditas, o megalançamento trará uma compilação dupla de hits e uma caixa de 11 cds

      Se é bastante natural que acontecimentos do cotidiano influenciem a produção dos artistas, raros são aqueles que transformaram sua obra numa espécie de diário pessoal. John Lennon se encaixa nesse grupo.

      Seus discos em carreira solo serão relançados mundialmente pela EMI em outubro, a exemplo do que a mesma gravadora fez com a obra dos Beatles em setembro do ano passado. Além dos sete álbuns originais, editados entre 1970 e 1980, e do póstumo de inéditas Milk and Honey (1984), o megalançamento trará uma compilação dupla de hits e uma caixa de 11 CDs, com raridades, singles e livretos.

      O projeto, intitulado Gimme Some Truth, prevê ainda um set com quatro discos, com a obra de Lennon dividida por temas: Roots, evidenciando suas raízes roqueiras; Working Class Hero, com sua canções de teor político e social; Woman, sobre amor; e Borrowed Time, que reúne suas visões sobre a vida diária.

      Os CDs remasterizados terão versão produzidas no Brasil, enquanto as caixas serão importadas pela EMI brasileira para venda no país. A data do lançamento, 9 de outubro, comemora os 70 anos de nascimento de Lennon, que foi assassinado a tiros aos 40 anos, em 8 de dezembro de 1980.

Sete discos

      O primeiro álbum de Lennon, sem contar três discos de experimentações pouco musicais lançadas antes em dupla com Yoko Ono, foi o John Lennon/Plastic Ono Band, de 1970. Repleto de canções cruas, distorcidas e gritadas, Lennon negava dessa forma o cuidado musical do parceiro Paul McCartney, cuja liderança e visão adocicada da vida haviam dominado os Beatles.

      O ápice é a canção God, uma verdadeira declaração de valores, em que nega tudo o que já havia sido importante para ele, incluindo Deus e Bob Dylan. Os versos finais demonstram a decepção com a ex-banda e a empolgação com sua nova fase: “I don’t believe in Beatles/ I just believe in me/ Yoko and me’’ (não acredito nos Beatles/ só acredito em mim/ Yoko e eu).

      Em 1971, Lennon produziu Imagine, que não só traria sua música mais lembrada, como recados pessoais: How do You Sleep (como você dorme?), para Paul McCartney, e Oh Yoko!, para você sabe quem - nos Beatles, Lennon já havia gravado o sucesso The Ballad of John and Yoko primeiro lugar no Reino Unido em 1969.

      Some Time in New York City (1972) e Mind Games (1973), ao contrário dos anteriores, tiveram recepção fria e péssimas críticas. Para completar, o casal se separou e Lennon mudou-se para Los Angeles com sua secretária, a filha de chineses May Pang.

      O novo casal passou um ano e meio na nova cidade, com Lennon enchendo a cara com amigos como Keith Moon, Harry Nilsson e Mick Jagger. Lennon chamaria mais tarde esse período de “lost weekend’’ (fim de semana perdido). Na volta, lançou Walls and Bridges (1974) e Rock’n’Roll (1975), este último apenas com covers dos anos 50 e 60.

      E então, curiosamente, ao retomar a relação com Yoko Ono, Lennon passou quatro anos em silêncio, sem lançar nada. Estava criando seu filho nascido em 1975, Sean, como descobriríamos ao ouvir seu disco seguinte, Double Fantasy (1980).

      Dividido meio a meio com Yoko Ono, as sete canções de Lennon no álbum traziam seu cotidiano no edifício Dakota, em frente ao Central Park, em Nova York. Em Cleanup Time, “o centro do círculo sempre será nossa casa’’. Beautiful Boy traz dicas de felicidade para Sean (além de o citar nominalmente): “vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos’’.

      E em Watching the Wheels, ele demonstra seu desconforto com quem o acusava de ser um fanfarrão e não fazer nada: “pessoas dizem que eu sou preguiçoso, sonhando o tempo todo’’.

      É comovente quando colocada ao lado de outra canção sobre o mesmo assunto, da época dos Beatles, I’m Only Sleeping (1966): “todo mundo parece achar que sou preguiçoso’’. Um sentimento que parece ter perseguido Lennon por toda a sua vida. (Ivan Finotti, da Folhapress)
Fonte: Jornal O Povo