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sábado, 17 de março de 2012

A história da Feiúra


SOBRE O AUTOR
Famoso pensador italiano, Umberto Eco nasceu em Alexandria, em 1932, e atua como filósofo, escritor, linguista e semiólogo. Autor de romances como O Nome da Rosa - que virou filme -, O Pêndulo de Foucault, Baudolino e tantos outros, é amplamente publicado no Brasil, sendo conhecido principalmente por seus escritos semiológicos e filosóficos. O mais recente livro do autor é Não contem com o fim do livro, de 2010, escrito em co-autoria com Jean-Claude Carrière.
SOBRE A COLEÇÃO
Após delinear a trajetória do belo no tratado A História da Beleza, Umberto Eco volta-se à discussão das características do feio, algo bem mais complexo e difícil de denominar. Nessa busca entre o belo e o feio, Eco acaba por traçar a história da humanidade até os dias de hoje por meio do gosto estético.

AUTOR: Umberto Eco
PÁGINAS: 460
EDITORA: Record

O feio só exite devido ao belo? Qual a relação entre o feio e o mundo das artes, ou melhor, com o mundo dos homens? Como o feio é visto hoje? Esses e outros tópicos são abordados no livro A história da Feiúra, do pensador italiano Umberto Eco. Continuação do tratado A história da Beleza, este tem como princípio adentrar o mundo obscuro da arte e suas diversas faces distorcidas.
Eco mostra que a própria conceituação de feiúra abrange, em muito, a de grotesco - termo usado para designar o que é repelente, mas pelo viés da deformidade e do escárnio. Tanto que se pode colocar o grotesco como uma categoria de feiúra. De acordo com Eco, mesmo depois de toda a discussão sobre o belo e o feio - levantada desde Aristóteles, passando pelos mais diversos filósofos, até os dias de hoje - o primeiro a se dedicar ao estudo aprofundado do assunto foi Karl Rosenkranz, no livro Estética do feio, de 1853. Nele, o autor traça as diversas manifestações do que vem a ser o feio e o categoriza.
O filósofo, semiólogo e romancista italiano mostra que Rosenkranz determina a feiúra a partir de análises do feio da natureza, do feio espiritual, do feio na arte, da ausência de forma, da assimetria, da desarmonia, do des- guramento e das várias formas de repugnante. Tamanha gama de signi cados acaba por colocar o feio como algo bem mais do que "simples oposto do belo", como aponta Eco. E, ainda pelo autor, se o entendimento quanto ao tema for estendido para a estética, surge uma espécie de paradoxo do feio, uma vez que ele passa a ser belo:
"Aristóteles (Poética, 1448b) fala da possibilidade de realizar o belo imitando com maestria aquilo que é repelente e Plutarco (De audiendis poetis) diz que, na representação artística, o feio imitado permanece feio, mas recebe como que uma reverberação de beleza da mestria do artista." (ECO, 2008, p. 20).
Para entender melhor as manifestações do feio Eco, identi ca três tipos de feiúra: o feio em si, o feio formal, e a representação artística de ambos. O primeiro deles, o feio em si, diz respeito àquilo que é feio independentemente de traços culturais. Por exemplo, um corpo em putrefação (seja humano, animal, vegetal), ou mesmo feridas abertas em estado de necrose, fezes etc. Tudo isso causa repulsa sem a necessidade de interferências sociais.
O segundo, o feio formal, trata-se daquilo que possui "desequilíbrio na relação orgânica entre as partes de um todo" (ECO, 2008, p. 19). Um rosto des gurado devido a sérias queimaduras, independente de quem seja, é unanimemente feio. Essa noção de feiúra se dá não pelas queimaduras em si, mas por apresentar um rosto fora de sua caracterização convencional. Já o terceiro, representação artística de ambos, é o feio sob orientação cultural/social elevado ao belo por meio da arte - geralmente como rompimento de conceitos obsoletos. Ou o contrário, aquilo outrora belo passa a ser encarado como feio visto pelos olhos de hoje. Por isso, avisa o autor, deve-se tomar cuidado ao fruir/taxar algo de feio ou belo.
O passeio pela feiúra apresentado por Eco perpassa desde a Antiguidade até a contemporaneidade a destacar e mostrar as principais manifestações desta estética avessa. Tudo isso em um escrito repleto de imagens e referências teóricas com trechos originais de obras literárias que abordam o assunto de diferentes modos.
Fonte:
 http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/32/artigo239578-1.asp