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terça-feira, 6 de outubro de 2009

SAUDADES DO SERTÃO

Por
João Teles

Quando passei no sertão/ Uns dias de folga pouca/ Conheci uma morena/ De deixar porteira louca/ Quebrar pote, lascar lenha/ Fazer durão rasgar roupa! // Eu quase enlouqueci/ Lasquei cambito de cana/ Plantei milho em pedregulho/ Matei preá por gincana/ Amolei faca peixeira/ Num brinco duma cigana!// Rezei missa pra coelho/ Botei tudo em procissão/ Derrubei cerca de arame/ Ouvi toco em comunhão/ Peguei faca amolada/ Fiz bode fazer sessão!/ Atravessei rio a nado/ Cortei forquilha e cambão/ Fiz touro se ajoelhar/ À vaca pedir perdão/ Por ter falhado na hora/ De cumprir sua missão! // Pulei cerca de arame/ Subi serra de entulho/ Desafiei coroné/ Empurrei nele bagulho/ Lhe beijei filha bonita/ E zombei do seu orgulho!// Peguei touro pelas pontas/ Cavalo brabo a tabefe/ Desarrumei casa grande / Sujei a cama do chefe/ Virei cangalha no alpendre/ Entortei espada em efe !// O diacho da tal morena/ Até esmola negou/ De um olharzinho que fosse/ Coração não abrandou/ E eu maluco no eito/ Meu quengo quase rachou!// Fiz reza com rezador/ Simpatias de São João/ Apelei pra alcoviteira/ Trabalhei num só rojão/ Mas de nada adiantou/ Não vi mais aquele cão!

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